Cassandra de Ferro.
Hoje decidi converter meu tempo para assistir quatro filmes. O primeiro foi a historia de Howard Stern, Private Parts, um locutor estado-unidense famoso pelas suas declarações politicamente incorretas no ar. Ele interpreta a si mesmo no filme. O outro foi Big Fish, filme de Tim Burton que dispensa apresentações. Achei legal, pois é a terceira vez que assisto e só agora me dei conta que o anão do circo é um Umpa-Lumpa. Não vou discutir o filme, mas ele sempre me emociona. A mensagem esta em primeiro plano; Pai e filho acabam se entendendo.
E também o Homem de Ferro… Ou como diria Ozzy; - Iron, Iron Man… É um ótimo filme, apesar do sentimento americanoide que paira sobre nossas cabeças, é a guerra contra o terrorismo comendo solta por meio da sétima arte. A atuação do Robert Downey Jr caiu como uma luva no personagem, assim como a armadura. Eu nunca fui fã de filmes assim justamente por isso, os efeitos não me deixam crer no que estou vendo, mas as cenas de ação são principalmente noturnas, em ambientes escuros ou no deserto com um céu sempre azul. Fica mais fácil de engolir, pois não há tanto contraste computação gráfica X realidade. Ao contrario do Homem Aranha, por exemplo… Ou o Hulk “prefiro o antigão”.
E finalmente o Sonho de Cassandra, aguardado filme de Woody Allen. O último filme dele que assisti foi Match Point, e confesso que lembrei deste no desenrolar da história. Antes de assistir li algumas criticas negativas sobre o filme, mas graças à internet, hoje esse tipo de comentário negativo a alguma coisa logo cai por terra. Ninguém mais dá ouvido a esses críticos, e nem ao pessoal que escreve resenhas e conta quase o filme inteiro dessa forma. O filme tem começo, meio e fim. Não é cansativo e não possui mistérios a serem desvendados. O verdadeiro mistério esta em analisar posteriormente ao assisti-lo a atitude dos protagonistas, aqui Ewan McGregor “Star Wars, Big Fish” e Colin Farrell. Li uma coluna da professora de filosofia da USP, Dulce Critelli, e conclui que o filme analisa um ser humano antagônico e faz um dialogo entre culpa e razão, o que é certo e o que é errado para o homem moderno, com suas ambições e os obstáculos para alcançar seus desejos. Nas palavras da professora, “… o homicídio premeditado é o principal ato humano em que a consciência moral se torna totalmente emergente”. O filme retrata como os dois personagens lidam com a violência que podem causar, como responder a seus atos, e como serem honestos com eles próprios. Há ainda uma intertextualidade própria da arte, o que eu acho magnífica. Na mitologia, Cassandra vivia alertando os troianos por uma desgraça que estava eminente, e era considerada louca por suas previsões. E esse é justamente um dos aspectos do filme, uma desgraça premeditada que pode levar a loucura. E Cassandra era o nome do barco que… Bom, quem não assistiu, deveria. Ou melhor, cada cabeça uma sentença.
Pensei na menina Isabela enquanto assistia ao filme. Talvez pelo impacto psicológico sofrido da conduta humana.
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Update: Esqueci de dizer que Cassandra’s Dream possui idéias ambivalentes do clássico Crime e Castigo de Dostoievski. O que forma uma espécie de dialogo entre filme e livro.
E isso me fez lembrar de Nina, filme de Heitor Dhalia (Cheiro do Ralo), que apesar de ser Global e trazer atores como Wagner Moura, Lázaro Ramos, Matheus Nachtergaele e Selton Mello, além da própria Guta Stresser (Grande Família) também faz uma releitura fascinante de Crime e Castigo. Com uma mulher encarnando o personagem do livro. O submundo aqui é São Paulo.
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Update 2: Pickpocket, do Bresson, também trabalha esse conceito de “Crime e Castigo”. Em mostra no mes de Julho na Cinemateca - SP. É um bom filme, diga-se de passagem… Apesar dos atores não serem tão bons - propositalmente!