Funny Face.
O que falar desse filme? Clássicos são clássicos e musicais nunca se tornam obsoletos. Apesar de criticar um pouco o também eterno An Affair to Remember alguns dias atrás, vejo que esse filme se destaca, pois como diz o titulo em português, uma Cinderela em Paris possui uma essência mais jovial, direta e que remete imediatamente a um conto de fadas não tão surreal e distante. O amor aqui não esta em primeiro plano, apesar de ser o mote para o Grand Finale…
Ambos os filmes são de 1957, mas Funny Face é um filme único, que soma a simpatia de Fred Astaire, com passos de dança precisos e uma aparência quase fraternal, e Audrey Hepburn, tão doce e tão simpática como nunca se viu. Preciso enaltecera sua beleza aqui? Ela é graciosa e lépida. Somente isso já basta.
O filme é extremamente bem montado, com diálogos sagazes e seqüências inteligentemente rápidas, encontros e ocasiões em cenas imortalizadas pelo cinema. O primeiro momento romântico de Jo Stockton “Hepburn” e Dick Avery “Asteire” se dá em um estúdio de revelação fotográfica, a luz vermelha dilacerante somada aos flashs da aparelhagem da sala criam um ambiente incomum e apaixonado, que propositalmente ofusca o olhar do expectador.
A cena da chegada a Paris, quando todos se encontram a caminho da Torre Eiffel é épica, e o tom de nevoeiro em um dia ensolarado no momento em que chegam à capela dá ao filme um aspecto de sonho.
A capa oficial do filme mostra Audrey Hepburn enquanto dança, nessa cena, envolta pela fumaça nos sombrios cafés ou bares úmidos da cidade luz, como uma adega. Possuem aquele “ar” que todos imaginam de um bar da Paris noturna. Faz parte de um senso comum imaginar uma França engajada, repleta de artistas e filósofos por todos os lados. O filme usa essas imagens um pouco estereotipadas, para compor o cenário local, o que para a época pode ter sido até um pouco cômico, para nos hoje demonstra que desde sempre os franceses são vistos como pensadores existencialistas como Sartre, espalhados pela cidade, traduzindo sempre a empatia universal entre um povo sensato. Essas são impressões que o filme transmite, propositalmente ou não.
As músicas são impecáveis, muito bem compostas, ótimas letras e andamentos. A música do café é surpreendente, um jazz não ritmado hipnotizante.
De qualquer forma a protagonista é uma modelo, antes uma gata borralheira vinda de uma empoeirada livraria, e depois para as capas de revista iluminadas por vermelho, azul e branco. O charme esta nas cores. E a sua sensibilidade intelectual que dá a personagem o seu carisma.
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Quotes: “Alguns que lembro, traduzidos não fielmente pois não encontrei o roteiro original”
- Quando fecho meus olhos, ainda posso ver os seus aqui dentro…
- Aonde esta Jo Stockton? Não sei… Pense como ela e imagine para onde teria ido, que ela ira imaginar como você para onde iria e com certeza vocês vão se encontrar no mesmo lugar.
E no site do IMDB:
Dick Avery: When I’m done, you’ll look like…
Dick Avery: What do you call beautiful? A tree. You’ll look like a tree.Jo Stockton: I was taught that I ought not expose my inner senses…
Dick Avery: You are mad, aren’t you?
Jo Stockton: No, I’m not mad. I’m hurt, and disappointed, and… and mad.
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Ps1 - A diferença de idade entre os dois é um pouco chocante para um casal, confesso. Mas tudo bem, sejamos modernos. Aliás, são ótimos atores e qualquer outra escolha do elenco poderia ser crucial para o filme. Há 30 anos de diferença entre eles…
Ps2 - Juro que um dia ainda vou falar sobre a Trilogia das cores. E sobre o Dançando no Escuro.