O Ano em que meus pais saíram de Férias.

Julho, 2008 - No Responses

O ano em que meus pais saíram de férias é o retrato de uma infância, uma como podem existir muitas outras iguais, mas essa é a infância de Mauro, um menino que é trazido de Belo Horizonte para São Paulo pelos pais, que se “exilam”, perseguições comuns na época da ditadura militar, nesse caso, o governo Médici.

Mesmo sendo a intenção de Cao Hamburger deixar de produzir filmes para crianças, O Ano me parece um filme feito sob o olhar de uma criança sobre o período em que ficou sem os pais, em uma época que também teve efeito sobre ele, mesmo na idade que tinha. Não esta em questão a repressão, grupos ativistas, pessoas politizadas, e sim, a criança nesse meio todo, levando sua juventude adiante. Ele brinca, tem seus sonhos e é fascinado pela então copa do mundo de 1970. Futebol, o ópio do povo… Paciência.

Adoro a atuação do ator Germano Haiut, que cuida do menino, que exatamente ao chegar à casa do seu avô, o saudoso Paulo Autran, fica sozinho. Pois esse morre colocando a navalha no pescoço de um cidadão do qual estava fazendo a barba. Uma cena muito legal, diga-se de passagem.

Bom, não tem nada a ver com a história, mas na mesma época em que vi o filme, fui a uma “show” no Studio SP, bar aqui de São Paulo, e vi Simone Spoladore na platéia… Acho que era show do Turbo Trio, se não me engano. Ela é realmente bonita. E uma ótima atriz. Dizem que algumas pessoas emanam de si uma atmosfera cinematográfica. Depois de ver o filme e vê-la pessoalmente acredito nisso. Percebo seu magnetismo. Apesar de que me sinto meio bobo dizendo isso, mas é uma sensação que tive… Sei lá…

Esse clima de São Paulo, quando retratado cinematograficamente dá a cidade um ar de poesia multiplicado, maior do que já tem. O bairro do Bom Retiro, onde se passa a trama, transpira cultura e historias… Pessoas que se abrigaram por lá, vindas de qualquer lugar, procurando um lugar comum para viver.
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Em tempo: Estava assistindo agora na TV o Castelo Rá-Tim-Bum, o filme, e me pergunto porque não reproduzir o cenário do seriado no longa. Cao Hamburger recriou todo o ambiente para fazer filme…

Morangos Silvestres.

Julho, 2008 - No Responses

Clássicos são clássicos e qualquer coisa que eu disser aqui não fará jus ao que representa esse fantástico filme, cujo titulo original é fácil fácil de pronunciar por nós Brasileiros, Smultronstället.

Bom, talvez se eu descrever o que ainda não foi dito, valha a pena falar sobre esse filme. O mais impressionante é ouvir o sueco, é praticamente uma mistura de polonês “sei por causa do João Paulo II” com alemão, completamente gutural e impassível de emoções. Não nesse caso.

Talvez meu estranhamento se dê porque o personagem principal, interpretado por Victor Sjöström, era anteriormente um ator famoso do cinema mudo.

O que mais gostei foi a relação de cumplicidade entre o velho médico, que viaja para receber um premio em outra cidade, e a garota que pega carona. Ela esta tão envolvida em sua juventude, que desperta lembranças de uma vida, amores e euforia adolescentes já esquecidas pelo médico.

A delicadeza dessas lembranças, prazeres, levam o médico a um “brainstorm” de seu passado, enquanto viaja pela auto-estrada, e de repente com o olhar perdido através do vidro, ou sonhando.

Absoluto, de Ingmar Bergman.

Matando Cabos.

Julho, 2008 - No Responses

Não dá para explicar o filme mexicano Matando Cabos, de Alejandro Lozano. O filme é um thriller de imagens rápidas, histórias paralelas que tentam explicar o que acontece com seus personagens principais enquanto tentam resolver um seqüestro mal planejado, uma vingança, um assassinato, um roubo, um amor, uma festa e toda a babel que vão formando, um dominó de situações cômicas, violência “não gratuita” perseguições em um ritmo “Tarantinesco”.

Li em algum lugar alguém que comparava esse filme a um modo Quentin Tarantino de dirigir, e concordo, pois é tudo muito rápido e a trama é confusa, só se entende mesmo assistindo, é atenção 100% do filme, se não se perde um pouco a linha dos acontecimentos.

E quase tudo é a bordo de carros de vários tipos, que vão pra lá e pra cá, movimento os personagens um pouco alucinadamente. Talvez demais…

Não assisti a muitos filmes mexicanos, atuais menos ainda, esse é ótimo.

Bom, se não há que falar, é porque há o que ver, então, a foto é grande.

Hey… Você não é o Mascarita???

O Cheiro do Ralo.

Julho, 2008 - No Responses

É difícil escrever algo original sobre um filme original, talvez porque Cheiro Do Ralo desperte em todos os que assistem a mesma sensação, o mesmo fascínio pelas atitudes de Lourenço, personagem vivido por Selton Mello.

O filme explora características humanas comuns e íntimas, um pouco de cada má qualidade que podemos ter no decorrer da vida, de nossos desejos e ambições. O humor doentio nos aproxima de Lourenço, e as situações que passa no filme me fizeram pensar em avareza, desespero, solidão, perversão, vazio, busca, felicidade e desejo.

O seu trabalho não permite que tenha sentimentos, e é mágico como ele manda o rapaz que tenta lhe vender uma caixinha de música, ouvir a mesma música do caminhão de gás para lembrar-se da mãe. Ou o rapaz que tenta vender livros, o rapaz diz que não quer voltar com os livros e ele manda o cara entrar pela porta de trás do ônibus, ou o Peruano, que Lourenço trata com um portunhol propositalmente desleixado. O melhor é o ralo, ele diz – Cheira mal o ralo né, não esta entupido, mas vai ficar, vou encher de cimento…

Ele não quer ver a mãe, e busca um pai que não tem, o que ele mais deseja é aquilo que nunca teve, uma ambição por algo que não se pode possuir, algo que ele possa comprar, quer poder, amar é algo para se doar, e ele só quer possuir e guardar tudo em seu quartinho. E ele se torna um ser humano vazio, e a imagem da bunda é algo que pode comprar, mas não pode ter, assim mostrando a fugacidade do que o dinheiro pode comprar. Ficou confusa a minha retórica, mas lendo tudo novamente a idéia é exatamente essa.

A trilha sonora deixa o filme leve, cômico, o texto é do segurança de Lourenço, o escritor Lourenço Mutarelli, as imagens são paulistanas, e portanto urbanas, alguma rua qualquer no bairro da Mooca, entre galpões de uma São Paulo que não existe mais, uma zona industrial de um tempo que passa, um mundo que se vende, e que ninguém quer comprar.

Só compra o que pode preencher algum vazio qualquer, um vazio que fede como o ralo.

Nota 10.
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Depois de Nina e Cheiro Do Ralo, espero agora ansiosamente pelo “Á Deriva” possivelmente o próximo de Heitor Dhalia.

Quantos anos sem tirar???

Julho, 2008 - No Responses

Já três horas antes do início do show, a fila dava voltas pelo centro cultural vergueiro formando um dédalo humano, e sendo assim, quando o show começou não demorou muito para que todos os presentes, com ingresso ou não, pudessem entrar para a ver a banda, afinal, isso é rock n’roll, e não adianta discutir. Iriam invadir de qualquer jeito, ficaria chato se não fosse assim.

E eu entrei pela saída, e sai pela entrada, e corri dos seguranças que não queriam deixar eu entrar novamente pela saída quando fui ao banheiro. Nossa, tenham dó, eu não conseguiria passar pela multidão nas escadas para sair daquele aquário que é a sala Adoniran Barbosa, aonde foi o show.

E o Ultraje é rock, é diversão e descontração. Roger parece cada vez mais jovem, graças frescor de suas letras, que possuem o vigor adolescente e a irreverência Brasileira. E tem mais, por ser a “semana” do dia mundial do rock, a banda tocou alguns dos clássicos do Ramones…

Bom, é isso ai, acho que a única baixa do show foi alguém que caiu não sei de onde e torceu ou quebrou o pé. Fiquei sabendo do lado de fora quando encostou a ambulância, não sou entusiasta de tragédias e não fui me aglomerar para ver. No geral, o show é nota 10, a banda toca com competência todas as músicas e a diversão, como já disse anteriormente, é garantida.

Eu quero levar uma vida, moderninha…

Céu de Suely e Cão sem Dono.

Julho, 2008 - No Responses

É possível traçar um paralelo entre Cão sem Dono, de Beto Brant e Céu de Suely de Karim Aïnouz, os dois filmes tratam da falta de perspectiva e inconstância de planos das personagens.

Em Cão sem Dono, Ciro é um tradutor, jovem formado que acabara de deixar a casa dos pais, mas ainda depende deles para pagar o aluguel e coisas do tipo, tem um relacionamento com Marcela, uma modelo apaixonada por ele e pela profissão. Ela sai em busca de seus sonhos, viaja, e ele esta prostrado em um apartamento, saindo às vezes para procurar emprego, e esperar por sonhos não concretizados. Ele vai vivendo…

Em Céu de Suely, Hermila é uma jovem que volta de São Paulo, a terra das oportunidades para ela de alguma forma, para estruturar sua vida no sertão do Ceara, terra natal, junto com o marido. Mas esse não vem de imediato, ela espera por ele enquanto cuida de seu filho, imaginando que algo de diferente pode acontecer. Mas não acontece.

Os dois filmes terminam em viagem e me fazem lembrar a frase de John Lennon; A vida é aquilo que acontece enquanto você planeja o futuro… É mais ou menos esse o raciocínio…

Vale à pena frisar que a realidade de cada filme é em uma ponta do Brasil, norte e sul, mas poderiam ser em qualquer lugar, óbvio. É um retrato de uma geração, como li por ai, enquanto Hermila tenta se entorpecer com acetona, Ciro se tranca no quarto para beber vodka.

Ambos possuem amigos, Ciro tem um vizinho que pinta, Hermila uma amiga que tenta a sorte como prostituta.

Uma tenta vender seu corpo para ir embora novamente, voltar novamente de onde tinha vindo para tentar resgatar um rumo, Ciro volta para a casa dos pais, e aos poucos recobra a consciência para seguir vivendo. E a vida segue para todos, bem ou mal, e os filmes terminam em aberto, com a vida seguindo, como de todos, como de qualquer um. Com uma busca, com encontros e despedidas.

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida.

O Banheiro do Papa.

Julho, 2008 - No Responses

Será que é possível rir com uma tragicomédia sem um pouco de inquietação? O filme El baño del Papa, de Enrique Fernández e César Charlone é precioso, consegue transmitir seu recado de uma maneira sutil. O Papa veio a Melo, uma cidade Uruguaia, em meados dos anos 80, fazendo com que seus moradores investissem todo seu dinheiro em uma recepção ao “santíssimo”.

O Brasil é os EUA da América do Sul, e é aqui aonde se compra o contrabando e o sustento de Beto (César Trancoso) que no decorrer do filme, entusiasmado com a visita do Papa a sua cidade, resolve aplicar todo o esforço em trazer mercadorias sob o aval da “alfândega” e montar um banheiro com o dinheiro conseguido para atender as necessidades fisiológicas do público papal. Mas no fim das contas, os 60.000 brasileiros esperados, não passaram de 300 e poucos gatos pingados.

O singelo do filme são observações subentendidas sobre o capitalismo, pobreza e sonhos. O esforço legítimo do trabalho, a relação entre pai e filha, o entendimento e o comprometimento entre todos. A família de Beto, seus amigos e a sociedade que o acolhe.

E, passada a mensagem, o filme rende algumas risadas, Beto com certeza tem boas idéias, e o final…

Carmem, tengo una idéia!

Nota 10!

Cassino.

Julho, 2008 - No Responses

Gosto muito de Cape Fear do Scorsese, também com Robert De Niro em destaque, mas esse Cassino não faz muito meu gênero. O filme é longo, as personagens são elaboradas, mas é aquela coisa de Cassino… Sabe, existem filmes de cadeia, um monte, também existem filmes de escola, filmes de hospital, filmes de casa, filmes de viagem, filmes de jornalista, filmes de empresa… Este é um filme de cassino. Algumas cenas valem à pena, afinal, como todo filme gênero cassino, possui cenas de gente que ganha, gente que perde, e gente que rouba e que é pega roubando, e que apanha dos seguranças do cassino. Melhor, ainda aproveitaram para fazer desse filme um filme de máfia também. Então, é dois por um, você vê um filme de cassino e também vê um filme de máfia. Sabe como é não? NÃO? Então, a máfia recomenda alguém para um trabalho, a máfia manda alguém fazer um serviço, a máfia enterra alguém vivo, a máfia manda até na política local. E tem até Mama, a mãe do mafioso que faz porpeta ao molho…

Bom, dentro da trama, com traições, máfia, cassino, cocaína, mortes e tiroteios, Scorsese consegue fazer um filme verdadeiramente caótico. É ascensão e declínio do Cassino, e como o dinheiro envolvido e aplicado é dividido por todas as partes, minando o prédio inteiro, e a vida de todos. Quase um tom documental em alguns momentos, seguindo a idéia do livro e roteiro originais, narrados. Ótima atuação de Sharon Stone.

Não assista a esse filme dublado, infelizmente. A dublagem é legal demais conosco e tirou os 534 palavrões do filme. Dados da Wikipedia. Eu não contei… O filme é longo, e vale o Oscar.

Superbad.

Julho, 2008 - No Responses

Tudo bem, eu assumo, gostei do filme, foi divertido enquanto durou. Mas lá pelo meio eu quase fui embora, eu quase desisti, eu quase desliguei, quase dormi, e quase me arrependi de assisti-lo.

Quantos filmes norte-americanos com adolescentes que tentam comprar bebida em mercadinhos existem?

Quantos filmes norte-americanos tratam de Bullying de uma forma satírica?

Quantos filmes norte-americanos alguém quer comprar uma carteira de motorista falsa?

Quantos filmes norte-americanos tem no elenco o gordinho divertido, o Nerd, o magrelo gente boa, o cara que se da bem em esportes, o policial maluco, o cara que odeia o trabalho, a mocinha bonitinha, a mocinha má, a professora velha, o adolescente que enche a cara de alguma coisa, na mesma festa, na casa de alguém, aonde alguém fuma, e finalmente a policia chega e apavora todo mundo? Lembrando que o verão esta acabando, e eles querem ir para a universidade, e estão pensando em quem serão seus respectivos companheiros de quarto, e o ponche esta batizado.

Então, esse filme é mais um desses, e no fim é divertido, vejamos o que nossos vizinhos de cima “ou de baixo se analisarmos um globo terrestre que nos favoreça em uma visão não capitalista demonstrativa do eixo sócio-político do planeta” andam pensando, seus costumes e hábitos, o jeito como falam e como sabem ser engraçados.

Eu gosto de filmes rápidos “aliás gosto dos bem lentos também” e esse é bem rápido graças a atuação enérgica do gordinho engraçado (Jonah Hill) que com tiradas rápidas “uma moça com quem ele dança menstrua na calça dele só para citar um exemplo” deixa o filme leve. Outro destaque fica por conta do mesmo rapaz que fez o namorado da Juno, no filme homônimo ganhador do Oscar, merecidíssimo, diga-se de passagem (uma droga).

Ta… Já falei, o filme é engraçado, talvez porque eu tenha me acostumado ao humor de Superdad e Família da Pesada. Mas se alguém tiver alguma coisa melhor para assistir, pode passar adiante esse filme.

E no fim tudo acaba bem.

Le Scaphandre et le Papillon.

Julho, 2008 - No Responses

Talvez o filme mais difícil sobre o qual já escrevi, O Escafandro e a Borboleta. Seria uma tragédia? Não, não o é, o filme consegue transpor o que há de delicado na tragédia humana e de certa forma uma reeducação de vida e sobrevida, em entendimento com as possibilidades.

Desafio também foi do diretor Julian Schnabel (Antes do Anoitecer) transpor para a tela a vida e sensações de Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle, que possui uma seqüela grave e rara de um AVC, chamada “Locked In” que o deixa completamente paralisado, podendo somente piscar um dos olhos. E assim, através de piscadelas, ou pestanejadas, Jean-Do consegue indicar letras em um alfabeto especial, que começa pela letra de mais uso na língua francesa, o E, para formar palavras, frases e o livro, que deu origem ao filme.

O foco da câmera, mesmo quando voltado para o passado do protagonista ou seus devaneios, tem um caminhar REM, em português, movimentos rápidos dos olhos, como a vista de Jean, que busca rapidamente movimentos a sua volta, além de servir como fala, e sentimentos de sua total expressão.

São poéticas as cenas, exemplo - a que descreve o farol como uma figura fraternal, que o guia através das memórias, e do distanciamento delas. O escafandro e a borboleta são metáforas para o mar no qual mergulha, apenas com uma pequena fresta de visão, e a sua imaginação, que o guia por momentos de solidão. Uma esperança ou nascimento.

E há momentos alegres, sua fonoaudióloga (ou o nome mais específico que a especialidade demanda) possui olhos belíssimos, assim como sua ex-mulher tem belas pernas. E num rápido movimento ocular, como eu ou você quando olhamos rapidamente para alguma coisa que não se pode olhar demoradamente sem ser percebido, ele fita com paixão o que ainda pode absorver do mundo. Belas pernas, aliás… E o filme caminha com leveza, pois ri da desgraça humana e não se leva tão a serio ao ponto de se tornar denso. Apenas grave, e delicado, mais uma vida do planeta terra, só uma. E fazemos tamanha diferença. Mas sem milagres.

Goya’s Ghosts.

Julho, 2008 - No Responses

O Fantasma de Goya, dirigido por Milos Forman (The People vs. Larry Flynt, Hair), é um filme mediano somente, mas muito interessante visto descompromissadamente, sem tentar buscar referencia histórica nem instruir um estudo sobre a invasão napoleônica ou a revolução francesa.

Goya é um pintor combativo, busca em suas temáticas algo além da obviedade de pinturas que retratam a fé religiosa idealizada por padres e arcebispos na interpretação livre bíblica. Durante a inquisição espanhola, faz gravuras que não são bem vistas pela igreja, mesmo assim, torna-se pintor oficial da corte, desagradando alguns de seus nobres com a visão peculiar e verdadeira de suas obras.

Lorenzo, membro da igreja, abusa sexualmente de uma garota, esta fica grávida e vira uma alma errante, ele a tranca em um calabouço, e depois de uma reviravolta no filme e muitos anos depois, Lorenzo é um dos chefes da guarda de Napoleão. Goya tenta achar e juntar mãe e filha separadas há muitos anos novamente.

Ficou péssimo o resumo… Mas o principal é Goya, que talvez em sua fase mais obscura, já com problemas de audição, se torna uma espécie de fantasma como diz o titulo do filme, recluso e mais criativo do que nunca. O enfoque não é objetivamente em suas obras, mas sim na novela filmada, entretanto, a personalidade, e o mito do pintor estão em destaque para retratar sua historia e genialidade.

Em tempo: Recentemente foram encontradas algumas gravuras então perdidas de Goya, avaliadas em seis milhões de dólares aproximadamente.

Bom fica o registro, filme nota 8.

Ótima fotografia e maquiagem. O final é 10.

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Ps: Randy Quaid trabalha nesse filme… E o personagem é até divertido, condizente com o currículo do ator, que é o clássico tio chato do “cult” Férias Frustradas. Segundo a nova conotação do que é Cult… Férias frustradas é jóia!

“Amar…Não Tem Preço” - Cuidado - Spoilers.

Julho, 2008 - No Responses

Esta mais magra? Talvez na tela pareça mais magra… Mas não era para ser o contrario? Este novo filme da Audrey Tatou nem é tão novo assim, é de 2006, mas pelo jeito só agora foi lançado comercialmente nas Américas. Sabe… gostei do filme, é bem montado, portanto com a receita certa para ser destaque na fila da pipoca. Ele não tem aquelas três partes bem definidas, ou seja, começo, meio e fim, mas o fim é tão Hollywood que já esta pronto para ser comercializado por esse mercado.

A problemática do filme se da ao acaso, as personagens de Audrey Tatou e Gad Elmaleh encontram-se e pinta um clima, Irene uma golpista caçadora de maridos e Jean, um barman que passeia com os pets dos hospedes do hotel nas horas vagas. Isso é familiar, sim, esse filme é total e completamente inspirado em Bonequinha de Luxo da também Audrey, mas Hepburn, de 1961. Os dois se atrapalham e a comedia romântica esta completa; Cenas rápidas e diálogos subentendidos fazem o silencio dos segredos das personagens, que os leva a situações embaraçosas.

Legal mesmo é a cena em que Irene explica a Jean a arte de enrolar os outros, começa com aquela carinha de mocinha bobinha, tentando conquistar o próprio Jean, o olhar perdido que acaba enganando até o expectador desatendo que de repente acha que esta assistindo novamente a Amélie Polain… E não é impressão minha, no final o dois vão embora de moto com sorrisos e abraços. Ela na garupa. E eu fiquei com a sensação de já ter visto isso antes. E vi…

O filme é bom, título traduzido comercialmente para o português “Amar… Não tem preço”. Em inglês, Priceless, fiel ao original, Hors de prix.

Nota 9,0.
Diretor: Pierre Salvadori.

Transmigração!

Desejo Liberado - Der freie Wille.

Julho, 2008 - No Responses

Acerca de dois anos, assisti ao filme Desejo Liberado “ou ‘liberto’ dependendo da tradução” de Matthias Glasner, na mostra internacional de cinema de São Paulo, e esse foi daqueles filmes que marcam. Lembro nitidamente da historia e de varias cenas tanto “nem tanto assim” tempo depois.

Theo é um estuprador, mas não é só isso, a sua personalidade é retratada com acuidade, mostrando lados humanos distintos em suas ações. Ao mesmo tempo em que ama Nettie, a filha de seu patrão, ele tenta fugir ao seu destino e evitar seus medos, enfrentando suas fraquezas e sensibilizando pelo viés da violência o expectador que pré-julgou seus atos, sem antes analisar o pânico que ele sentia com relação a todos. Nattie também sofrera abusos, eles não ficam claros, mas a relação com o pai denota alguma perturbação.

A cena que mais gostei é a da capela. Na noite que antecedera a ida deles a igreja, Theo estava perdido, sem lugar para ficar, encharcado, pelas ruas da Bélgica procurando por Nattie. Ao se encontrarem, ela o convidou para o seu apartamento, e em um momento de redenção de toda culpa, dormiram juntos ao som da Ave Maria, vinda de um radio relógio. A cena ficou singela e sutil, simples e direta. No dia seguinte, ele pediu que a mesma música fosse tocada enquanto os dois estavam nos bancos da igreja. Os dois entre olhares e abraços mergulhados em silêncios intermináveis.

O filme termina e deixa a todos uma dúvida, apesar de culpado, ninguém o condena sem antes ponderar as razões pelas quais ele violentava mulheres, segue um sentimento de pena, compreensão e lamento. Seus erros e defeitos fazem de Theo um anti-herói, muito humano e digno, mesmo monstruoso. Talvez, todos vejam um pouco de si nessa figura emblemática.

- - - - - - - - O engraçado de quando fui assistir esse filme, é que tudo estava bem durante a projeção, mas a sala do cinema era pequena, um pouco improvisada, e em dado momento, na cena em que Nattie procura desesperada por Theo pelo apartamento, um rapaz levantou e entrou na frente do projetor, fazendo uma sombra perfeita sobre a cama de casal do quarto na tela. A platéia inteira deu um suspiro, era ele? Ele vai aparecer? Vai mata-la… É agora! – Quando perceberam que era a sombra do sujeito na frente da tela, o filme que era o mais serio dos dramas tornou-se cômico. Todos riram e quase aplaudiram a simetria do cidadão que atravessou a sala, sumindo na saída.

Rapsódia em Agosto.

Julho, 2008 - No Responses

Momentos de pura poesia, intercalados em silêncios e contemplação oriental. O penúltimo filme de Akira Kurosawa trata dos resquícios de uma humanidade deflagrada pela guerra mundial, gerações à frente. Trata-se de uma analise dos sentimentos em épocas diferentes, uma velha senhora em séqüito com seus netos, testemunha viva de um holocausto. O filme conta com a participação de Richard Gere, como familiar distante, americano disposto a assumir a culpa pelos danos causados pela guerra.

O “insight” do filme fica por conta dos momentos em que as imagens falam por si só, como a visita das crianças ao local aonde caíram às bombas atômicas, arremessam água a uma placa “epitáfio” explicativa de que ali, pessoa queimadas haviam morrido em pleno desespero e dor – ou a visita de uma “amiga” a velha senhora, viúva, que fica ao seu lado por horas sem dizer sequer uma palavra. As duas compartilham de tanto, que o silencio já transpira tudo. Uma cumplicidade harmônica.

É estranho como de repente, quando aparecem personagens “adultos” no filme, este fica um pouco afobado e bobalhão. A sabedoria esta nas crianças e nos idosos, o choque do tempo dos acontecimentos.

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Rapsódia
do Gr. rhapsodía

s. f., ant.,
fragmento dos poemas homéricos, contados pelos rapsodos;
composição musical formada de diversos cantos tradicionais ou populares de um país;
composição literária ou musical, formada por trechos de diferentes obras.
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Em tempo:

“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”.

Machado de Assis - Por Brás Cubas.

Bocage.

Junho, 2008 - No Responses

Meu ser evaporei na luta insana
Do tropel de paixões que me arrastava:
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quasi imortal a essência humana!

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos

Deus, ó Deus!… quando a morte a luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.

Manuel Bocage.

Speeeddddd Raceeeeerrrrr…

Junho, 2008 - No Responses

Animação por animação, prefiro o Bee Movie… É aquela coisa, ficam filmando a cara do piloto fazendo caras e bocas enquanto dirige, e o cara fica raciocinando, e passam pela tela lembranças e acontecimentos do passado do piloto. Tudo bem, levo em consideração que Speed Racer também é um desenho japonês de muito sucesso, mas isso não implica em fazer um filme tão… tão… tão… clichê. Ok, o filme é baseado na historia original do anime, legal… Mas a corrida parece o F-Zero do Game Cube. E o piloto fica pensando, pensando, pensando… Na F1, por exemplo, se pensar tanto perde o controle e bate o carro… Mas Speed Racer é bem mais rápido, aliás, ele só corre fazendo Drift, como em Velozes e Furiosos versão nipônica (sic).

Perfeito, ele é a versão Matrix do Schumacher!

Será que Tatsuo Yoshida concordaria com os Wachowski?

E o vilão é a indústria automobilística, e o mocinho é o piloto pobrezinho que luta contra as armações na corrida… Simples. Mas os carros VOAM… Já esta implícita a armação toda.

Prefiro Emile Hirsch no Into The Wild…

Destaque para o irmão mais novo do Speed… Quando fica imaginando e fazendo suas peripécias torna o filme dinâmico. Sem precisar correr necessariamente. As imagens se sobrepõem fazendo um “History Board” do que se passa em cena, do que ele fala, do que pensa…

Um filme de close up em cara de piloto.

Nota 5.0.

O importante é o casamento!

Junho, 2008 - No Responses

Quando li “O Casamento” de Nelson Rodrigues imaginava o Dr.Sabino como pessoa falsa e obscena, Glorinha uma menina inocente e perdida “periguete” e Antonio Carlos um pouco mais novo…

A visão de Arnaldo Jabor neste filme de 1975, mostra um Sabino amorfo, em profunda crise causada pelos valores da sociedade até então, Glorinha completamente louca, perdendo a razão e quase uma alma errante sufocada. Além disso, Noêmia e seu amante, que não suporta com pena e asco a lepra de sua esposa, mata a tolerância, mata por amor.

O filme multiplica o “peso” de cada personagem, todos eles parecem gritar muito mais em cada cena acida do filme. O livro transmite sensações de duvidas e dramas familiares, o filme é puro pânico existencial, um drama psicológico.

A cena da praia é um grande mal entendido de ambos, Sabino e Glorinha, confusos e angustiados, correndo para lugar nenhum.

A critica social de Nelson Rodrigues permeia toda a historia, esta nas convenções familiares, nos valores e na posição estudada de cada um, querendo ou não parecer ou esconder alguma coisa, a eles mesmos. No final, durante o casamento, o padre “logo o Padre?!?” dá o mote para a libertação de Sabino, que assume sua condição desgraçada

O mais importante era o casamento? Era! Então pronto… Resolvido.

Elenco
Adriana Prieto …. Glorinha
Paulo Porto …. Sabino
Camila Amado …. Noêmia
Érico Vidal …. Antônio Carlos
Mara Rúbia …. Eudóxia
Nélson Dantas …. Xavier
Fregolente …. Camarinha
Carlos Kroeber …. Padre Bernardo
André Valli …. Zé Honório
Cidinha Millan …. Maria Inês
Vinícius Salvatori …. Delegado Rangel.

Indiana Jones e a Pedra filosofal, ops, e a Caveira de Cristal…

Junho, 2008 - No Responses

Olha, acho que o Dan Brown passou a perna no George Lucas, o novo Indiana Jones beira a ficção cientifica e vai agradar em cheio os fãs ardorosos do gênero Blockbuster.

O filme tem enigmas, mistério relacionado à cultura maia, indígenas que saem do chão e disco voadores. Tudo termina em casamento. Além de um ótimo duble para Harrison Ford e lutas na floresta em alta velocidade, essa turma do barulho vai aprontar uma grande confusão que não vai deixar pedra sobre pedra, Indy em uma aventura eletrizante para conquistar o coração de uma gata muito sapeca contra ET’s da pesada. Pronto, se fosse o narrador da sessão da tarde, global, seria assim a sinopse.

Existe um sincretismo comum, imediato, para juntar algumas teorias sobre a humanidade e fazer uma colcha de retalhos ambígua e mal explicada. Já que o público alvo desse filme não esta interessado em nada que os faça pensar muito quando acabar as duas horas de projeção.

Mesmo assim Indi Junior cumpre bem seu papel, é ação do começo ao fim, e os efeitos e computação gráfica não chegam a incomodar tanto. George Lucas (…). Sou mais a Sidney Fox…

Na verdade, sou mais a trilogia das cores…

O Sexo e a Cidade.

Junho, 2008 - No Responses

Depois de um hiato de alguns anos, Sex And The City volta para preencher a necessidade humana de factóides acerca da vida das atrizes e personagens da série mais bem sucedida depois de Friends e Seinfeld.

 

Eu vi um trecho do filme, mas sem legenda, e comecei a ficar cansado quando o drama começou a permear a vida da Carrie. Então, lembrei de algo que li no blog 02 neurônio, e conclui que o filme foi muito longe, criando uma realidade paralela a minha que ficou demasiado surreal e inverossímil, nada crível a Brasileiros. Não estou com crise de latinidade, só não consigo levar a sério tudo isso! Esta fora do meu alcance imaginativo.

 

Talvez eu precise ir mais ao shopping, tomar mais cosmopolitans e conseguir um armário para sapatos para engendrar tudo isso. O filme me parece um Barrados no Baile (Beverly Hills 90210  ) para maiores de 40 anos. Nada mais.

 

Mas vou assistir até o final ainda…

Ana Cristina César.

Junho, 2008 - No Responses

Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e

dos restos do dia, tira da tua boca

o punhal e o trânsito, sombras de

teus gritos, e roupas, choros, cordas e

também as faces que assomam sobre a

tua sonora forma de dar, e os outros corpos

que se deitam e se pisam, e as moscas

que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor (não ouças)

que se prepara para carpir tua vigília, e os cantos que

esqueceram teus braços e tantos movimentos

que perdem teus silêncios, o os ventos altos

que não dormem, que te olham da janela

e em tua porta penetram como loucos

pois nada te abandona nem tu ao sono.

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A poesia de Ana Cristina César é uma conversação secreta entre interlocutores, algo que só dois podem saber. Se não sabe, então supõem, sinta as palavras e espere que façam sentido no momento em que os sentidos estiverem tão íntimos, só seus.

Royal Wedding.

Junho, 2008 - No Responses

Núpcias Reais, de Stanley Donen com Fred Astaire e Jane Powell. Bom, sobre esse eu não tenho mesmo o que falar. Tenho certeza que já havia visto a cena em que Astaire dança pelas paredes do quarto, mas só dessa vez prestei atenção e conclui que deve ter sido um trabalhão virar o quarto em 360 graus para que ele pudesse, em sincronia, apoiar as mãos e os pés sempre que a sala dá uma volta. Dança pelas paredes impecavelmente.

Seria demais comparar Jane Powell* (Who?) com Audrey Hepburn, mas ela faz bem o papel de mocinha da vez… E nem é o par romântico, e sim a irmã de Astaire. Varias cenas legais e considerando a data do filme, 1951, fica interessante analisar as cenas externas, que carecem de uma iluminação adequada, mas ficam ótimas por manter um visual sépia e escuro. Leigamente falando, “embassadinho”.

Chorei no final, todos casam, são felizes para sempre e eu fiquei com vontade de aprender sapateado. Vou parar de ver esses filmes… Já foram uns cinco desse tipo esse ano, estourei a quota, vou partir para algo mais atual. Todavia, a nota é 10.
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*Update: A Jane Powell nunca mais trabalhou em nada significativo de lá pra cá, conforme os musicais foram perdendo publico no final da década de 50. Mas ela is Still Alive, e vou fazer um antes e depois agora. Bom, ela trabalhou num episodio de Law & Order, só para constar

Herbie Hancock And Macy Gray - São Paulo

Junho, 2008 - No Responses

E nesse domingo fui aos shows do Herbie Hancock e Macy Gray no parque Villa Lobos, e foi sensacional. Acho que a combinação de vários fatores fez a ocasião muito especial. Primeiramente pelo tempo frio, que embalou a todos com casacos pesados e capas de chuva distribuídas gratuitamente pelos organizadores, além dos charmosos bonés que vão se desintegrar na primeira lavagem. Hahaha. Fora isso, gostei muito do Parque Villa Lobos. Não o conhecia ainda, e fiquei surpreso com as dimensões e a parte aonde foi montado o palco, que é mais alta e descampada. Em dias propícios é um lugar perfeito para caminhadas, andar de patins, skate ou bicicleta. E quem sabe num futuro não tão distante possa receber o pouso de alguns discos voadores, devido à boa localização.

Quando escureceu, a luz dos refletores jogou sobre o gramado e púbico que ainda agüentava o ventinho sudoeste, uma camada dourada que brilhava, cintilante pelos pingos de chuva e de orvalho nas arvores. O que foi bom, porque na saída do show a falta de iluminação no caminho das escadas laterais do parque, fizeram com que todos andassem com os celulares a mão, iluminando o caminho. E a grande quantidade de pessoas causou alguns mais aventureiros a descer os barrancos que seguem para a rua rolando e escalando. Para poupar tempo e fugir da massa.

É impressionante o quanto o povo Brasileiro é cervejeiro. Em dado momento, na entrada do parque, alguns ambulantes iam e vinham correndo com engradados de cerveja, e acondicionavam as latinhas em geladeiras de isopor desajeitadamente. Enquanto a galera se aglomerava em volta deles, enchendo sacolas de cerveja, cercando-os por todos os lados para conseguir beber.

O show do Herbie Hancock foi corretíssimo. Com o repertorio que lhe rendeu o Grammy, ele mostrou suas hábeis melodias, e um jazz de primeira. Eu só cheguei no show na música Cantelope Island, que vinha ecoando pelas imediações do parque. De qualquer lugar das redondezas “e das quadradezas” era possível ouvir a levada famosa da música, batendo pelos prédios e dando um som para todos os moradores vizinhos.

A Macy Gray foi impecável, tocou Radiohead, Dee Lite e Rod Stewart, além de seu repertório normal. O som estava bem medido, todos os instrumentos estavam nítidos, até para quem estava, assim como eu, não tão próximos dos palco. Mas sempre amparados pelos telões que acompanharam bem o andamento do show. Os músicos possuem todos um alto astral, sempre interagindo com a platéia, e no encerramento, saindo um por um de cena, com cada instrumento acompanhando a despedida.

Os banheiros funcionaram bem, na medida do possível, e os caminhões-pipa deixaram a todos bem hidratados…

São Paulo ficou com um ar de Nova York, em um dia assim, frio e urbano, e com um jazz de qualidade no parque no meio da cidade.

Aliás, nós somos melhores que eles!

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Ps: Dá pra ver ali na foto um dos saudosos figurantes do desenho do pica-pau “Cataratas do Niágara” quem sempre gritam Uuuuuuêêêêêêê…

Back To The Future II.

Maio, 2008 - No Responses

Esse filme é de longe o melhor da trilogia. São incontáveis os detalhes trançados entre os três filmes e esse em questão é o melhor, porque engloba os três. É um elo entre futuro, presente e passado.

O filme começa quando o Dr.Emmett Brow encontra McFly no mesmo lugar em que o havia deixado no fim do filme anterior, e termina no mesmo lugar aonde começa o terceiro filme. Mas nesse ínterim, todos estão ligados àquela mesma rua, aquele mesmo lugar deserto na rodovia, atrás do “outdoor”, em 1955. E lá que são as partidas e retornos chave em todos os filmes.

Depois de voltarem do futuro 2015, são obrigados a irem novamente para 1955, paralelamente aonde estavam no primeiro filme, depois que velho Biff roubou o Almanaque em 2015 e entregou ao novo Biff em 1955, criando um 1985 alternativo, que até então, não existia e deixa de existir no final do filme, quando voltam para o velho Oeste. Nesse segundo filme há tecnicamente com três Emmetts Brows na mesma situação! O de 1955, o que volta de 2015, e o que viera de 1985!!!

Então Mcfly encontra Dr.Emmett no mesmíssimo lugar de onde ele acabara de partir de volta para 1985 no primeiro filme, logo depois que o Doc de 1985 acabou de, acidentalmente ir para o velho oeste em 1885.

Confuso não? Quando eu vi esse filme pela primeira vez não entendi muito bem, afinal, eu tinha apenas uns 10 anos, e fui vendo e revendo no decorrer dos anos 90. É realmente complicado, mas ao mesmo tempo um prato cheio para discussões sempre que o assisto novamente.

Alguém ai ainda não viu esse filme? Eu já vi umas 15 vezes no mínimo.

No site do IMDB(em inglês) é possível encontrar dezenas de detalhes, erros crassos e peculiaridades bem planejadas pelo diretor Robert Zemeckis(Who Framed Roger Rabbit) para que o filme ficasse riquíssimo além de bem escrito, montado e dirigido. Por exemplo; além de tudo que esta claro durante a exibição, é possível ver já nesse segundo filme, uma imagem do Biff do terceiro filme, quando vão contar a historia do Biff do presente alternativo quando esse é milionário… Na televisão do prédio aonde construiu seu império. A jaqueta que Mcfly usa na segunda vez que visita 1955 é a mesma que aparece como relíquia na vitrine da loja aonde compra o almanaque com os resultados dos jogos em 2015.

O terceiro filme já parte para uma historia praticamente independente. Porque mostra Doc no passado, e Mcfly tentando evitar seu assassinato.

Só mais um adendo, o legal mesmo é ver os contrastes entre as épocas, como seriamos em 2015, como realmente estamos hoje, como era o passado deles, e o futuro. E das maiores pulgas atrás das maiores orelhas em todos os tempos da humanidade o mistério do tempo e como controlá-lo. Bom, o tempo é só uma invenção, feita para diferenciar o ontem do hoje. O que é, e o que não será mais.

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Ps1: Depois que eu leio o que eu escrevo, eu fico com a sensação de que estou lendo um texto escrito por alguém de 16 anos entusiasmado demais com alguma coisa… Mas o filme tem disso, aliás, é muito jóia ver o filme com a dublagem clássica, aquela feita na época. As que saíram hoje em dia com o “box” do filme relançado não é a mesma coisa…

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Ps2: Nunca mais joguei o Back To The Future do Master systen… :-(

Corpo - O Filme

Maio, 2008 - No Responses

Ontem, fui à pré-estréia do filme “Corpo” no cinema reserva cultural. E não tenho muito a dizer sobre isso. Sinceramente? Não gostei do filme. Esse abusa de simbologias difíceis de captar, alguma relação do tempo com o ser humano não perene.

O filme trata um caso da ditadura militar, uma morte misteriosa, um corpo trocado para disfarçar alguma execução realizada em circunstâncias obscuras. Mas nada esta muito claro. Há um affair romântico entre as personagens, e com requintes de necrofilia. Não vou entrar em detalhes.

Não consigo encontrar nenhum resultado de busca no Google, e não sei quais os nomes dos atores e nem do diretor. Fui assistir ao filme meio de sopetão, desavisado, convidado por amigos que tinham interesse em aproveitar o coquetel pós-filme e falar com alguém para complementar uma pesquisa de TCC. Na verdade, a única pessoa que eu lembro o nome na produção é a Chris Couto (Tainá-2). Mas quando tento procurar informações na sua filmografia, vejo que o Corpo é de 2005. E nenhuma informação a respeito. Alguma coisa esta errada.

A propósito, não gostei muito do coquetel. Um pessoal atabalhoado e bem arrumado se acotovelando para conseguir uma taça com champagne. Depois acabou tudo, e só sobrou guaraná.

Só mais um adendo, em uma das cenas o personagem principal vai ao arquivo do estado procurar por registros da ditadura militar, fotos ou documentos que o ajudem na identificação de um corpo. Ele chega a uma sala bagunçada, e é atendido por uma moça grosseira que libera esses documentos como se fossem revistas velhas em uma biblioteca. Sendo que esse tipo de arquivo só pode ser consultado por agendamento, em um ambiente esterilizado. Geralmente quem consulta esse tipo de coisa são advogados ou parentes de pessoas mortas na época da ditadura. E o rapaz lá, remexendo pastas como se tudo estivesse lá, amontoado. Na verdade, vida real, esse material ainda esta sendo catalogado e organizado. Só a pouco tempo foi liberado para a consulta do público. Eu sei que era só para dar a idéia de que foi pesquisar e tudo mais… Mas ficou estranho.

Sei lá…

Se alguém um dia estiver lendo isso e quiser passar mais informações a respeito do filme para esse que vos fala, ficarei grato. Acredito que há detalhes que eu não absorvi.

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Update: Pelo Orkut, descobri algumas informações sobre o filme. Que transcrevo aqui.

Médico patologista de São Paulo, Artur, gosta de imaginar causas de mortes fictícias para as pessoas que encontra no seu dia a dia. Um dia, encontra-se diante de um corpo de uma jovem militante dos anos setenta. Examina-o e confirma que ele permaneceu intacto durante mais de trinta anos. Esta intrigante descoberta representará o estopim para uma estória vivida por cinco personagens: Artur, Lara (a sua superiora no Instituto Médico Legal), a militante morta, Fernanda (sua suposta filha), e uma socióloga, a única personagem que poderá identificar o corpo. O filme apresenta o corpo como objeto político e erótico, símbolo de nossa própria identidade.

http://www.corpofilme.com.br

Realização: Rossana Foglia e Rubens Rewald
Direção e Roteiro: Rossana Foglia e Rubens Rewald
Fotografia: Marcio Langeani
Montagem: Idê Lacreta
Intérpretes: Leonardo Medeiros, Rejane Arruda, Chris Couto, Louise Cardoso, Regiane Alves, Antonio Petrin, Sonia Guedes.

Estréia Mundial: Festival Internacional de Montreal, Canadá.

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Ok, gostei e concordo com essa idéia de “O filme apresenta o corpo como objeto político e erótico, símbolo de nossa própria identidade.”

Mas é só isso?

Será que é TOC?

Maio, 2008 - No Responses

Então… Eu larguei o hábito de falar da minha pessoa particular na internet e suas matrizes. Ou seja, não divulgar detalhes da vida em sites de relacionamentos, blogs, assim como fotologs, Flickr, myspace e Twiiter… Esse último muito menos. Já pensou, avisar até quando vou até o “no fundo a direita”…

Entretanto, todavia, o problema aqui é psicológico. Quem sabe, divulgando a minha particularidade psíquica, algum terapeuta não se interessa pelo caso e escreve um livro. Porque eu não vou procurar ajuda, nem no consultório, nem na igreja…

Vou começar do começo, até porque se eu partisse do fim, seria a quimera para quem lê.

Vou expor uma situação como exemplo: Eu preciso de um Tênis. O que eu usava até então, rasgou ao meio depois de tanto uso “eu gosto muito de andar”. Eu preciso de um tênis novo para o meu dia-a-dia. Tenho outros calçados, sapatos e botas, mas eu preciso do meu tênis especifico para o uso diário. Então eu vou até a loja e compro um Tênis, e mesmo que o anterior ainda esteja bom para usar mais duas vezes, eu vou jogá-lo fora, porque eu quero ter um par de tênis e não dois. Eu quero o meu tênis, e o outro já esta velho. Eu não joguei o outro tênis fora porque estou esbanjando Tênis, eu só vou passá-lo ao fio de alta tensão pelos cadarços quando este estiver velho e sem condições de uso. E ai, terei o novo.

Outro exemplo: Comprei um CD virgem para gravar uma coletânea de músicas que me agradam. Mas no exato dia em que gravei o CD, uma música nova aparece e eu queria que ela fizesse parte da seleção. Então automaticamente o CD que gravei se torna inaudível, porque ele esta sem a tal música. Preciso gravar outro. Lembrando que o CD virgem custa em media, 75 centavos.

Mais um exemplo: Eu adoro rádios, como já falei em um texto anterior, e eu tinha uma vitrola enorme, que tinha capacidade para tocar dois vinis ao mesmo tempo “um de cada vez”, além de um toca-fitas e radio AM/FM. Mas ela era do meu avô, comprada na década de 70, o toca-fitas não rodava mais na velocidade certa e o som fazia um chiadinho que me incomodava. Resultado, enquanto não a troquei por outra fiquei sem ouvir rádio de nenhuma espécie em casa. Porque eu queria o meu rádio. Mas eu não queria só mais um radio, eu queria o meu rádio, de escutar rádio todo dia, e eu não poderia ter essa vitrola paralelamente ao rádio porque eu ficaria pensando que estou gastando um quando poderia usar o outro. Então eu teria que me desfazer “na troca” de um, para ouvir o outro. Eu queria a sensação de que meu rádio era único, meu meio de ouvir rádio, e se eu tivesse outra opção, não conseguiria tirar da cabeça que estava gastando um sendo que poderia economizá-lo ouvindo o outro. Eu queria um só, o meu rádio, super útil, simples, barato, fácil de sintonizar, com visual retro e no canto dele.

Falando nisso, até cheguei a comprar um radio de pilha (palito) por 10 reais nas barraquinhas que vendem produtos sem cobrança fiscal. E no começo gostei dele, porque teria a praticidade de funcionar sem energia elétrica, pois usaria as pilhas, e seria fácil de carregar (no bolso). Melhor, ele tinha um falante embutido, sendo assim não necessário o uso de fones. Mas ele era tão ruim, e as rádios funcionavam tão misturadas que eu tive que desistir e tacar ele num canto.

Deu para entender? Eu gosto de tudo que é prático, fácil de usar, que não use fones, nem penduricalhos, que seja único, útil, leve e barato. Que eu possa carregar para aonde for se for portátil, e tenha uma multifuncionalidade, como um Tênis converse, que pode ser usado em varias ocasiões. E não sai de moda. E como a propaganda dizia “e eu sou vítima da genialidade deles” é fácil de calçar. E um CD completo, com todas as músicas que eu gosto, sem que eu esteja enjoado de nenhuma música do disco, para não ter que mudar de faixa, ou pensar… –Ai, essa eu já cansei de ouvir… Ou… –Por que fui incluir essa faixa na coletânea se eu não suporto mais essa música e ela destoa das outras do disco?

E um celular? Se eu pudesse usaria só cartão telefônico. Porque este custa em media 4.50R$. Mas dessa forma as pessoas não poderiam me encontrar. Então, quando fui escolher um celular, levei em consideração os seguintes pontos. Deveria ter um teclado de plástico “porque os emborrachados gastam”, não poderia ser de “flip” porque dá defeito na abertura depois de um tempo. A bateria deve durar bastante, se não eu vou desligar a luminosidade da tela, não pode ter câmera e nem rádio. Porque esses são visados e podem roubar, além disso, eu não gosto de andar com nada pendurado na rua, então ele não poderia ter fones, e o som dos celulares sem o fone não são bons o suficiente. Mesmo se eu achar um bom, o preço é muito alto. E eu prefiro usar esse dinheiro para comer ou ir ao teatro do que comprar um celular, que em suma, serve para fazer ligações. E é isso que eu quero, um celular que sirva para fazer ligações. E não uma maquina fotográfica, rádio desajeitado e videogame portátil que eventualmente serve para fazer/receber ligações telefônicas.

Ficou clara a explicação? E os exemplos? Eu acho isso natural. Se fosse uma obsessão ou compulsão, seria Toc. Mas não chega a tanto.

E se eu não tivesse isso para dizer, excluiria esse blog… Porque este seria inútil.

Shopie’s Choice.

Maio, 2008 - No Responses

Eu não sou um especialista para fazer um comentário à altura do filme A Escolha de Sofia. Seria necessária uma analise magistral para compreendê-lo globalmente.

Também um estudo profundo, que eu, agora, não teria disponibilidade para desenvolver.

Gostaria de somente registrar que a atuação de Meryl Streep(O Diabo Veste Prada) é fenomenal, e reza a lenda que só conquistou o papel principal para esse filme depois de praticamente ajoelhar aos pés do diretor Alan J. Pakula.

Porque que eu coloquei O Diabo Veste Prada entre parênteses logo após o nome de Meryl Streep? Porque este é mais recente que A Escolha de Sofia…

Com certeza o livro escrito por William Styron abrange melhor a historia do que o filme, mesmo assim a película consegue sintetizar com justiça os fundamentais detalhes necessários. Para quem assistiu e leu tudo, a obra-prima fica completa.

O filme adquire um tom de documentário quando Sofia, pela voz do narrador Stingo, começa a contar os eventos de sua vida. A sua escolha é entre os filhos, sobre qual deve morrer. E finalmente a escolha de como deveria seguir a sua vida e por que. Daí por diante fica a nosso critério entender o desfecho de suas decisões. E o seu critério…

Em minha opinião, e não vou contar o filme aqui enquanto escrevo isso, o seu destino já estava selado, e depois de tudo o que aconteceu o sofrimento venceu, e levou tantas esperanças embora, que já era impossível resgatar sua vida.
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PS: A Meryl Streep me lembra um pouco a Clarice Lispector nesse filme. Os traços da atriz possuem aquela estrutura comum da Europa Central, assim como os da escritora, eu sei que ela é estadunidense, mas ela ensaiou tanto o Polonês e o Alemão, e para que o sotaque ficasse fiel no inglês que eu cheguei a acreditar que ela era realmente de algum pais do eixo Alemanha, Polônia, Bielorrússia e Ucrânia. Esse último, terra natal numero 1 de Clarice Lispector. A outra é o Brasil-il-il-il…

Cassandra de Ferro.

Maio, 2008 - No Responses

Hoje decidi converter meu tempo para assistir quatro filmes. O primeiro foi a historia de Howard Stern, Private Parts, um locutor estado-unidense famoso pelas suas declarações politicamente incorretas no ar. Ele interpreta a si mesmo no filme. O outro foi Big Fish, filme de Tim Burton que dispensa apresentações. Achei legal, pois é a terceira vez que assisto e só agora me dei conta que o anão do circo é um Umpa-Lumpa. Não vou discutir o filme, mas ele sempre me emociona. A mensagem esta em primeiro plano; Pai e filho acabam se entendendo.

E também o Homem de Ferro… Ou como diria Ozzy; - Iron, Iron Man… É um ótimo filme, apesar do sentimento americanoide que paira sobre nossas cabeças, é a guerra contra o terrorismo comendo solta por meio da sétima arte. A atuação do Robert Downey Jr caiu como uma luva no personagem, assim como a armadura. Eu nunca fui fã de filmes assim justamente por isso, os efeitos não me deixam crer no que estou vendo, mas as cenas de ação são principalmente noturnas, em ambientes escuros ou no deserto com um céu sempre azul. Fica mais fácil de engolir, pois não há tanto contraste computação gráfica X realidade. Ao contrario do Homem Aranha, por exemplo… Ou o Hulk “prefiro o antigão”.

E finalmente o Sonho de Cassandra, aguardado filme de Woody Allen. O último filme dele que assisti foi Match Point, e confesso que lembrei deste no desenrolar da história. Antes de assistir li algumas criticas negativas sobre o filme, mas graças à internet, hoje esse tipo de comentário negativo a alguma coisa logo cai por terra. Ninguém mais dá ouvido a esses críticos, e nem ao pessoal que escreve resenhas e conta quase o filme inteiro dessa forma. O filme tem começo, meio e fim. Não é cansativo e não possui mistérios a serem desvendados. O verdadeiro mistério esta em analisar posteriormente ao assisti-lo a atitude dos protagonistas, aqui Ewan McGregor “Star Wars, Big Fish” e Colin Farrell. Li uma coluna da professora de filosofia da USP, Dulce Critelli, e conclui que o filme analisa um ser humano antagônico e faz um dialogo entre culpa e razão, o que é certo e o que é errado para o homem moderno, com suas ambições e os obstáculos para alcançar seus desejos. Nas palavras da professora, “… o homicídio premeditado é o principal ato humano em que a consciência moral se torna totalmente emergente”. O filme retrata como os dois personagens lidam com a violência que podem causar, como responder a seus atos, e como serem honestos com eles próprios. Há ainda uma intertextualidade própria da arte, o que eu acho magnífica. Na mitologia, Cassandra vivia alertando os troianos por uma desgraça que estava eminente, e era considerada louca por suas previsões. E esse é justamente um dos aspectos do filme, uma desgraça premeditada que pode levar a loucura. E Cassandra era o nome do barco que… Bom, quem não assistiu, deveria. Ou melhor, cada cabeça uma sentença.

Pensei na menina Isabela enquanto assistia ao filme. Talvez pelo impacto psicológico sofrido da conduta humana.

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Update: Esqueci de dizer que Cassandra’s Dream possui idéias ambivalentes do clássico Crime e Castigo de Dostoievski. O que forma uma espécie de dialogo entre filme e livro.
E isso me fez lembrar de Nina, filme de Heitor Dhalia (Cheiro do Ralo), que apesar de ser Global e trazer atores como Wagner Moura, Lázaro Ramos, Matheus Nachtergaele e Selton Mello, além da própria Guta Stresser (Grande Família) também faz uma releitura fascinante de Crime e Castigo. Com uma mulher encarnando o personagem do livro. O submundo aqui é São Paulo.

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Update 2: Pickpocket, do Bresson, também trabalha esse conceito de “Crime e Castigo”. Em mostra no mes de Julho na Cinemateca - SP. É um bom filme, diga-se de passagem… Apesar dos atores não serem tão bons -  propositalmente!

Funny Face.

Maio, 2008 - No Responses

O que falar desse filme? Clássicos são clássicos e musicais nunca se tornam obsoletos. Apesar de criticar um pouco o também eterno An Affair to Remember alguns dias atrás, vejo que esse filme se destaca, pois como diz o titulo em português, uma Cinderela em Paris possui uma essência mais jovial, direta e que remete imediatamente a um conto de fadas não tão surreal e distante. O amor aqui não esta em primeiro plano, apesar de ser o mote para o Grand Finale…

Ambos os filmes são de 1957, mas Funny Face é um filme único, que soma a simpatia de Fred Astaire, com passos de dança precisos e uma aparência quase fraternal, e Audrey Hepburn, tão doce e tão simpática como nunca se viu. Preciso enaltecera sua beleza aqui? Ela é graciosa e lépida. Somente isso já basta.

O filme é extremamente bem montado, com diálogos sagazes e seqüências inteligentemente rápidas, encontros e ocasiões em cenas imortalizadas pelo cinema. O primeiro momento romântico de Jo Stockton “Hepburn” e Dick Avery “Asteire” se dá em um estúdio de revelação fotográfica, a luz vermelha dilacerante somada aos flashs da aparelhagem da sala criam um ambiente incomum e apaixonado, que propositalmente ofusca o olhar do expectador.

A cena da chegada a Paris, quando todos se encontram a caminho da Torre Eiffel é épica, e o tom de nevoeiro em um dia ensolarado no momento em que chegam à capela dá ao filme um aspecto de sonho.

A capa oficial do filme mostra Audrey Hepburn enquanto dança, nessa cena, envolta pela fumaça nos sombrios cafés ou bares úmidos da cidade luz, como uma adega. Possuem aquele “ar” que todos imaginam de um bar da Paris noturna. Faz parte de um senso comum imaginar uma França engajada, repleta de artistas e filósofos por todos os lados. O filme usa essas imagens um pouco estereotipadas, para compor o cenário local, o que para a época pode ter sido até um pouco cômico, para nos hoje demonstra que desde sempre os franceses são vistos como pensadores existencialistas como Sartre, espalhados pela cidade, traduzindo sempre a empatia universal entre um povo sensato. Essas são impressões que o filme transmite, propositalmente ou não.

As músicas são impecáveis, muito bem compostas, ótimas letras e andamentos. A música do café é surpreendente, um jazz não ritmado hipnotizante.

De qualquer forma a protagonista é uma modelo, antes uma gata borralheira vinda de uma empoeirada livraria, e depois para as capas de revista iluminadas por vermelho, azul e branco. O charme esta nas cores. E a sua sensibilidade intelectual que dá a personagem o seu carisma.
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Quotes: “Alguns que lembro, traduzidos não fielmente pois não encontrei o roteiro original” :-)

- Quando fecho meus olhos, ainda posso ver os seus aqui dentro…
- Aonde esta Jo Stockton? Não sei… Pense como ela e imagine para onde teria ido, que ela ira imaginar como você para onde iria e com certeza vocês vão se encontrar no mesmo lugar.

E no site do IMDB:
Dick Avery: When I’m done, you’ll look like…
Dick Avery: What do you call beautiful? A tree. You’ll look like a tree.Jo Stockton: I was taught that I ought not expose my inner senses…
Dick Avery: You are mad, aren’t you?
Jo Stockton: No, I’m not mad. I’m hurt, and disappointed, and… and mad.

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Ps1 - A diferença de idade entre os dois é um pouco chocante para um casal, confesso. Mas tudo bem, sejamos modernos. Aliás, são ótimos atores e qualquer outra escolha do elenco poderia ser crucial para o filme. Há 30 anos de diferença entre eles…

Ps2 - Juro que um dia ainda vou falar sobre a Trilogia das cores. E sobre o Dançando no Escuro.

Booorrrrnnn Agaaaaiiiiinnn

Maio, 2008 - No Responses

And i’m listening to…

Esses dias senti vontade de escutar alguma coisa mais… Visceral… Crível… Algo que possuísse uma guitarra mais marcante, vocais nítidos e honestos, gritos e sussurros. Geralmente eu ouço bandas novas, e cada vez mais pendendo para o eletrônico, EBM ou Indie difícil de classificar… Como o Lês Sav Favy, que tocou nessa ultima versão do Coachella Festival nos EUA.

Queria algo antigo, mas que soasse novo, não obsoleto, fundamental, com letras boas e um som diferente.

Voltei aos primórdios… Larguei de lado os discos do Portishead um pouco, dei umas férias para a Björk, não dei atenção ao novo single do CSS e passei reto pelos novos do Silverchair (que esta estranhíssimo) e Black Crowes. Fui ao Black Sabbath.

Eu sempre gostei de discos renegados, já falei isso aqui, e outro dia estava ouvindo o sensacional Never Say Die do Sabbath, que é um disco feito aos pedaços, com Ozzy já com um pé fora da banda, todos de saco cheio, gravações atrasadas e vocalistas improvisados. No caso, o vocal do Fleetwood Mac, que estampa no Sabbath uma sonoridade mais Stoner, pelo fato de que seu vocal mais grave faz com que as guitarras de Iommi fiquem mais “bluseiras” mesmo na época em que estavam. Fim de uma era, de uma transição lisérgica que atravessavam desde o lançamento do Sabotage e antes do estilo completamente diferente adotado no Heaven And Hell. Muito Heavy Metal, quase um NWOBHM.

Mas eu queria um disco bastardo, Never Say Die é ótimo, mas eu queria algo mais obscuro. E Black Sabbath não é só Ozzy, também não é só Dio, e muito menos os 4 discos com Tony Martin que possuem uma produção muito cristalina para uma banda tão Doom, estilo que o Sabbath ajudou a criar. Além do Heavy Metal.

O disco é o Born Again.

Por volta de 1983 o Black Sabbath estava à procura de um vocalista, Ian Gillian estava sem banda e frustrado com sua carreira solo. Saudades de grandes espetáculos. Coverdale fazia um bom trabalho no Deep Purple, e o Sabbath precisava de alguém de nome, alguém que agüentasse a responsabilidade de fazer parte da banda. Uma pessoa que também estivesse a fim de abraçar todo o processo de fazer parte do Sabbath, que são turnês, show e muito mainstream. Afinal, é das maiores bandas de todos os tempos. Então, um belo dia, Iommi estava enchendo a cara em algum Pub Inglês, quando encontra Ian Gillian também mergulhado na cachaça. Depois de varias doses a mais, os dois combinam de fazer um disco e a entrada de Gillian na banda. Todos se despedem e vão embora. No dia seguinte o telefone de Gillian toca, é Iommi chamando-o para começar a trabalhar! Reza a lenda que ele não acreditou realmente que o trato era pra valer, ele não se via como vocalista do Black Sabbath. Mas como bom gentleman inglês que é, honrou seu compromisso. E o Born Again nasceu… Péssimo trocadilho…

Gillian só fez algumas exigências. Não iria usar roupas espalhafatosas ou crucifixos pelo corpo. Bill Ward, baterista da formação clássica do Sabbath passava por problemas pessoais, e depois de gravar o disco não pode sair em turnê com a banda, sendo substituído por Bev Bevan do ELO.
O interessante desse disco, além dessa pequena historia, é que durante as gravações o amplificador da guitarra de Iommi estourou, mas nenhum dos técnicos, nem o próprio Iommi perceberam o dano. O disco foi gravado e mixado assim mesmo, fazendo com que as guitarras todas ficassem com uma sonoridade abafada, toscas e obscuras.

O que é bárbaro!

Para a capa do disco, não poderiam ter feito escolha melhor, ou pior. Depende do ponto de vista. Eu acho a capa do Born Again fantástica, uma das melhores. Há um demônio “o da foto acima” recém nascido, com um efeito cromático, azul contrastando com o vermelho. Caótico.

E as músicas? Estranhas. Um som pesado, as vezes arrastado, marcante e com riffs cravejados de uma densidade tenebrosa e obscura. As letras? Padres, corridas de carro, crises psicológicas e álcool.

Fãs mais ardorosos bradam que esse disco é o que Gillian mais gritou em sua vida. A versatilidade do seu estilo encaixou e se adequou ao som do Sabbath, que ao contrario do Deep Purple possui um som mais “palpável” e direto. Sem tantos malabarismos do Blackmore, guitarrista do Purple como Gillian estava acostumado.

Mesmo assim, o disco não foi um sucesso, destoava muito dos outros discos do Sabbath, e nem os próprios gostaram dele, a sonoridade realmente é diferente de qualquer coisa que o Sabbath tenha feito. Talvez pelas mudanças nas guitarras.

Esse disco eu fiz questão de ouvir em CD, original, deixei de lado as MP3 que cortam a profundidade do som, tirando freqüência e amplitude. E o resultado é muito bom, com um aparelho de som em ordem. E possível ouvir as ótimas levadas de Geezer no baixo, e até a flauta que Iommi toca em algumas partes.

A banda se separou logo em seguida, foram muito criticados por se tornarem uma espécie de Deep Sabbath ou Black Purple. Realmente é um disco bastardo, e ninguém agüentava o Sabbath tocando Smoke On The Water nas Turnês. Eu ainda não tive a oportunidade de ouvir esse disco ao vivo, mas gostaria de saber como Gillian se saiu cantando Heaven And Hell, originalmente do Dio, no palco. O disco possui nove faixas, dentre elas duas são vinhetas. O que faz dele um disco nada comercial. Existe ainda uma faixa perdida nunca lançada desse disco que pode ser encontrada perdida pela internet.

Só para encerrar, há ainda o fato de que a música Zero The Hero teve o Riff roubado posteriormente pelo Gun’s And Roses na música Paradise City. O que convenhamos é uma copia descarada, mas também uma homenagem, a um disco tão único.

***Notas da Wikipédia:

-Nas gravações do álbum, existiram mais duas demos, “The Fallen” e “Death Warmed Up” que não foram incluidas no álbum. “The Fallen” pode ser encontrada nos bootlegs, “Born In Hell” (como faixa extra), e “Born Again Demos”

-A música “Disturbing The Priest” surgiu a seguinte maneira: Durante as gravações do álbum, um padre foi reclamar com a banda, por causa do barulho que eles faziam. Eles se desculparam imediatamente, Gillan saiu para tomar uma cerveja, e a música veio em sua cabeça.

-Trashed e um relato de quando Gillan bateu o carro de Ward, numa corrida bebado, pelos gramados dos estúdios de gravação.

-Digital Bitch, foi escrita para a filha de um homen que tinha negocios com computação, disse Gillan. Rumores dizem que essa mulher é Sharon, a esposa de Ozzy, filha do empresario da banda Don Arden.

Into The Wild

Abril, 2008 - No Responses

Algumas pessoas vivem esperando que apareça do nada um grande amor, aquele amor idealizado, que vai mudar tudo a sua volta. Ou esperam que aquela pessoa um dia ira acordar e amá-las plenamente como tanto sonham. Mas o fato é que o verdadeiro amor é algo para se construir, constituir, eclodir… O amor se desenvolve com o tempo. A real felicidade só surgira quando compartilhada entre duas pessoas que juntas saibam buscar alegrias. Ai sim, tudo ira mudar ao seu redor.

O filme é o “Into The Wild”, ou em português sabiamente traduzido como “Na natureza selvagem”. Poucas vezes gostei da tradução de um titulo de filme, e esse é um deles. No inglês remete diretamente ao modo selvagem como o personagem principal vive, já no português fica claro que ele esta na natureza de uma forma selvagem, e tem a sua essência humana animalizada.

E não há mais o que dizer sobre esse filme. Essa explicação já foi suficientemente clara. E o conceito que escrevi inicialmente é um dos pensamentos que ululam durante a projeção.

O personagem principal não é de uma sensibilidade insipiente, pelo contrario, ele tem instintos e desejos. E vai a procura do que acredita. No final, chega as suas conclusões e é feliz. Pelo menos no tempo que lhe resta.

Ótima direção do Sean Penn, e trilha sonora angustiante recheada de Eddie Vedder.

Propaganda de perfume… [:-D]

Abril, 2008 - One Response

A nova música de trabalho do Portishead é fantástica. Não sei se meus conhecimentos musicais são suficientemente qualificados para dizer que algo é fantástico, mas ouvi a música antes de ler qualquer artigo escrito a respeito, e ela mudou a minha vida. Tudo bem, talvez não tenha mudado tanto assim, mas já estou ansioso para ouvir o disco inteiro que será lançado dia 28 de abril.

O single “Machine Gun” é completamente desconstruido, a música foge aos padrões do estilo da banda, que sempre poderia ser comparada ao Trip-Hop produzido por Massive Attack ou Hooverphonic. O som é todo quebrado e só ganha melodia depois do caos sonoro causado por batidas ritmadas de uma forma completamente não convencional, um som eletrônico, mas nada dançante, arrastado, mas não lento. A música caminha para uma apoteose sonora, com um teclado envolvente, e os vocais polidos e esganiçados da Beth Gibbons, que transborda uma fraqueza condizente com o “clímax” da canção. Interpretação nota dez.

As crônicas a respeito são positivas, talvez os entusiastas não sejam nem grandes admiradores desse tipo de som, mas uma coisa é inegável, o Portishead caminha para algum lugar. É único quando uma banda tenta evoluir de alguma forma, aborda temas diferentes e mostra uma inquietação na hora de compor. Inovando. Ninguém quer ouvir mais do mesmo. Para isso existem coletâneas.

Minha opinião final; sempre achei que bandas de Trip-Hop faziam um som típico de trilhas sonoras de propaganda de perfume. Com o devido respeito, eu sei que essas músicas possuem um requinte sonoro, mas faltava o Portishead quebrar o vidro do perfume no chão.

Dentes-de-Leão.

Abril, 2008 - No Responses

Esses dias eu estava pensando… Nunca mais havia visto aquelas flores, que quando você as assopra vários fiapinhos brancos, tramas, saem voando. Não lembrava o nome delas, nem a última vez que as tinha visto, ou assoprado. Coisas que relaciono com a minha infância.

Perguntei a conhecidos, parentes e pessoas mais experientes. E ninguém lembrava o nome do planta. Até que ontem vendo um filme, escutei por um acaso falarem “Dente-de-Leão”, e em seguida apareceram as flores.

Pesquisando um pouco, descobri que essas flores possuem vários nomes diferentes, em cada lugar do país a nomeiam de um jeito. Os dois mais interessantes são “Amor-dos-homens” e “Esperança”. É essa que gostei mais…

Peguei um papel-de-parede para o computador e deixei exposto aqui para lembrar um pouco de como eram. Sei que elas são comuns, mas andando por ai, nunca as vejo.

“O essencial é invisível aos olhos”. Saint-Exupéry.

Quando fui até o quintal da minha casa hoje à tarde, dentre vários pedaços de pedra que lá existem, sobras de uma obra já acabada, me deparei com uma pequena arvore cheia delas. Surpreso, corri para assoprar uma. Chamei quem estava próximo para ver que elas ainda existiam! Estavam lá! Ninguém quis assoprar também. Paciência. Assoprei uma só, e pensei, vou deixar as outras para depois. Pensando bem esses fiapos que voam são sementes que podem fazer outras arvores iguais a essa.

Ledo engano, uma hora mais tarde um vento levou todas embora. A natureza segue seu rumo, mesmo entre entulhos trabalha para continuar sua obra. E hei de vê-las por ai novamente.

Rambo - Rá tá tá tá tá tá tá tá…

Abril, 2008 - No Responses

Para começar eu já aviso que não vou pleitear a favor do John Rambo ou de qualquer um de seus filmes, na verdade, o que esta em questão aqui é o filme em si, e mais uma vez a indústria de cinema norte americana.

Quando fui assistir ao